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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Capitulo 5 - O Mal

Olá leitores do blog ^^ então... primeiramente tenho que fazer um pequeno aviso. Como puderam perceber, faz um certo tempo que o blog está sem postagens novas, então, o Batata pediu pra avisar que ele está sem computador, por isso não está podendo fazer as postagens =/ ~todos chorão~ ç.ç. 
Ah, espero que gostem desse capitulo ^^ boa leitura \o.

Capitulo 5
O  Mal


O dragão de fogo ardia no ar enquanto se contorcia em volta do que outrora seria o corpo do guerreiro prateado. Milon estava exausto por utilizar a técnica depois de uma luta corpo a corpo tão intensa quanto aquela, acreditando que aquilo bastava para dar um fim ao tal Guerreiro Prateado, com um simples movimento de mão desfez o dragão que desapareceu se transformando primeiramente em um dragão de fumaça e depois se dissolvendo no ar.
O garoto de cabelos dourados que ainda estava caído no chão, ofegante por utilizar tal técnica, se levantou e caminhou até o outro garoto, que tinha um ferimento enorme no ombro e o estendeu a mão para que também pudesse se levantar, porem ele negou a ajuda oferecida e se levantou com suas próprias e forças e com dificuldade.
- Ele foi morto? – Indagou Yahiko após se levantar – Você o matou?
- Espero que sim – Respondeu Milon limpando um pouco da sujeira em sua roupa – Aquele cara não é normal, tem algo nele muito diferente... e...
- O que você está fazendo aqui? – Yahiko interrompeu a fala de Milon bruscamente
- Você devia ser mais educado com quem acabou de salvar sua vida – Retrucou Milon – Mas respondendo a sua pergunta... Seu avô morreu... Vim te avisar disso e também...  
Foi como se um abismo se abrisse no chão a sua frente, o peito de Yahiko pesou, sua respiração ficou tão lenta e imperceptível que pareceu estar parada, a boca aberta e o rosto tomado por uma expressão de choque. Que seu avô iria morrer ele sabia, mas no fundo, não estava preparado para saber que isso tinha acontecido, por isso saíra da vila antes que seu avô morresse, só desejava chegar ao vale o mais rápido possível e ressuscitá-lo, sem ao menos saber que ele tinha ou não falecido.  Agora que ouvira a terrível noticia da qual tanto fugira se sentia mais solitário que nunca, estava realmente sozinho no mundo, sem mãe, sem pai... Sua única família, seu avô, já não existia mais.
Pegou a mochila que estava jogando a poucos metros dele e colocou nas costas, não podia parar para se lamentar, não poderia se dar ao luxo. Um minuto parado se lamentando significava um minuto mais distante de poder ressuscita-lo.
- Aonde você vai? – Milon perguntou quando viu que o garoto havia virados as costas pra ele e estava se afastando
- Ressuscitar meu avô! – Replicou Yahiko se virando para encarar Milon – Não posso ficar aqui parado me lamentando... Tenho que fazer alguma coisa.
- E como você pretende fazer isso? – Indagou Milon um pouco intrigado com a resposta de Yahiko, afinal ele não conhecia nenhum meio de trazer os mortos a vida, é claro que já tinha ouvido histórias de magos que eram capazes de realizar tal feito, mas o resultado nunca era agradável, sempre pagavam por desafiar a vida e a morte – É impossível, há menos que você também queira morrer!
-Vou até o Vale dos Ossos Verdes... Dizem que lá há um modo de fazer isso – respondeu
- Então você também vai acreditar nessa lenda? – Indagou o garoto de cabelos dourados, havia ouvido falar no Vale dos Ossos Verdes, mas nunca entendeu porque as pessoas arriscavam suas vidas para ir atrás de uma lenda incerta e perigosa – Não é loucura?
- É minha única esperança!
- Você deveria aceitar a morte de seu avô... É uma coisa que vai acontecer com todos nós, temos apenas que nos conformar – Disse Milon com a voz calma – Sei que você quer tê-los de volta, mas não acha que é loucura arriscar sua vida por isso?
- De certa forma... Talvez seja, mas não posso simplesmente ficar parado enquanto houver ao menos uma possibilidade de trazê-los de volta – Yahiko respondeu.
- Entendo... Bom, eu pretendia resolver essa situação com minhas próprias forças... Mas acho que vou me juntar a você... De qualquer jeito, não tenho mais para onde voltar – Milon disse e se sentou em uma das varias raízes que brotavam do solo – De qualquer forma... Você sabe como chegar até esse tal vale?
- O que você quer dizer com não ter para onde voltar? – Yahiko indagou confuso – E a vila? A escola? Sua casa?
- Oh... Esqueci de te contar! – Disse Milon um pouco desapontado por ter esquecido de um detalhe tão importante, mas nunca foi de sua natureza se preocupar muito com as coisas, por mais importantes que fossem – Quase tudo foi destruído... Não existe mais vila, e poucos sobreviveram.
- O que quer dizer com isso? – Yahiko Gritou assustado – O que aconteceu?
- Foi pouco depois de seu avô morrer... Eu não sei bem o que aconteceu – Disse Milon se lembrando das cenas assustadoras que presenciara, nunca tinha vida algo tão sombrio e maligno como aquilo, imediatamente se sentiu fraco e teve ânsia – Mas foi assustador.
- Assustador?
- Sim... Muito assustador, não consigo expressar muito bem o que aconteceu... foi muito confuso – respondeu Milon forçando a mente para tentar colocar em palavras todo aquele horror que presenciara – Me avisaram que seu avô tinha morrido, então corri para o quarto dele para ver se era verdade, quando cheguei lá vi o corpo deitado sobre a cama, sem duvidas estava morto...

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Ao ver o corpo de seu mestre se desfazer em cinzas Milon não pode deixar de se assustar. Aproximou-se lentamente enquanto olhava abismado para o antigo mestre que agora não passava de um monte de pó cinzento. Segundos depois finas colunas de uma fumaça negra começaram a sair do meio do pó e se acumular no ar, formando a principio uma nuvenzinha negra e a medida que mais da fumaça negra surgia e se juntava foi se tornando uma grande esfera densa e da mesma tonalidade escura.  
Milon não conseguiu sustentar o peso do corpo e caiu de joelhos, a ar do quarto estava pesado, como se fosse só maldade, um tipo de maldade pura. Tão pura que tornava todo o ambiente sombrio e insuportável, como se o mal estivesse ali. Milon foi ficando cada vez mais atordoado e fraco, até que tudo ficou escuro e até perder os sentidos.   
Durante o tempo que esteve desacordado teve pesadelo terríveis, todos cheios de monstruosidades e bestas assustadoras e tão reais que faziam o próprio sonho ser como parte da realidade, uma realidade amedrontadora e cruel, onde existia apenas o mal e o terror.
Acordou sobressaltado e ofegante, não soube por quanto tempo esteve desacordado, mas se sentiu aliviado por ter saído daqueles pesadelos. A atmosfera dentro do quarto já tinha se tornando mais suave, o garoto nunca tinha se sentindo tão aliviado ao sentir a normalidade daquele lugar, sem a presença de nenhuma energia maligna. Ficou apenas sentado no chão frio de pedra. Se recuperando, confuso sem saber o que foi aquilo, e desejando que nunca mais voltasse a sentir tanto terror.
Lhe ocorreu que precisava avisar alguém, levantou-se depressa e saiu correndo pelos corredores da casa, a medida em que se aproximava cada vez mais da vila foi sentindo novamente aquele presença, de inicio estava fraca, quase imperceptível, como se fosse apenas um al pressentimento, mas aos poucos ia se tornando cada vez mais forte, até que era mais terrível do que a primeira vez em que a sentira e ia aumentava a intensidade cada vez mais.
Ao chegar à vila ele já estava cansado; a pressão maligna estava cada vez maior.  Ele olhou assustado, a cena que via era totalmente diferente do normal. As casas estavam em chamas, tinha destroços por toda parte e pessoas jogadas no chão, algumas ensanguentadas, mortas, desacordadas e outras apenas em meio às prantos desconsolados.  
- O que aconteceu aqui? – Milon indagou confuso
- Surgiu... Do nada - Disse um homem que estava caído perto do garoto – Uma criatura envolta em sombras, destruiu tudo e depois simplesmente desapareceu... dizem que foi para a escola.
Ao ouvir isso Milon saiu correndo, atravessou a vila que outrora fora muito bela e pacifica, porem agora não passava de casas em chamas e destroços por toda a parte, choro e sangue. Correu para a escola, o pátio se encontrava em estado pior que a vila, alguns dos estudantes ainda estavam jogados pelo chão, todos igualmente feridos e desacordados. Milon não parou para olhar pra eles, queria apenas encontrar a tal criatura. Abriu as portas do salão de treinamento e entrou correndo.
Só viu uma das janelas sendo quebrada e um vulto saindo por ela como um raio negro cruzando o céu e desaparecendo segundos depois. Caído ao lado de uma das colunas que sustentavam o teto de vidro estava um dos professores, Gume, o mesmo que havia substituído o velho Kemi antes que este falecesse. Milon correu até ele.
- O que era aquela coisa que saiu pela janela? – O garoto indagou confuso
- Atuinen... O maligno – Respondeu em meio a gemidos de dor – Um dos oito seres que levam a destruição, ele, é a maldade.
- A Maldade?
- Não só isso, ele é o mal em pessoa – Gume continuou – Não existe em nosso planeta um ser mais maligno, ele só deseja o caos e maldade, isso que o mantem vivo.
- Mas o que um ser como esses estava fazendo aqui?
- Você viu, não viu? – Gume indagou com os olhos arregalados e uma expressão de terror no rosto – De onde ele saiu? Do Kemi...
- Sim... Mas, por quê?
- Ele estava selado dentro do Kemi... Há muito tempo, e agora que seu guardião morreu, ele se libertou e pretende se juntar aos outros para voltar a trazer a destruição ao mundo. Se eles se reunirem tudo estará acabado, será o fim de tudo o que conhecemos – Gume disse e segurou um dos braços de Milon com muita força enquanto olhava no fundo dos olhos do garoto – Você é um dos únicos que pode dar um jeito nisso agora, daqui da vila você foi o único ileso, os outros que tem alguma força estão debilitados.
- Eu... Não posso fazer nada, não posso confronta-lo, só de sentir aquela presença eu perco todas as minhas forças.
- Não estou te pedindo para confronta-lo! – Respondeu Gume – Esses outros seres também estão selados, eu não sei bem onde, mas esse selamento é uma magia tão profunda e poderosa que é impossível de ser quebrada; o único jeito é por meio de outra magia igualmente forte, e o único jeito de obter tal magia é O vale dos Ossos Verdes.
- Você não quer que eu acredite em uma lenda como essa quer? Não vou arriscar minha vida correndo atrás de uma lenda! – Milon exclamou um pouco irritado – É loucura!
- É tudo o que temos! Você viu do que aquela criatura sozinha é capaz de fazer! Se ele conseguir se reunir com seus semelhantes... Será terrível. E isso não é apenas uma lenda, é real.
- Mas o que eu posso fazer?
- Atuinen... Ele vai atrás do Vale, para obter magia suficiente para libertar seus companheiros, por isso vai ser perigoso, mas você precisa dar um jeito de chegar ao vale antes dele e usar a magia para sela-lo.
- Como eu faço para chegar a esse Vale?
- Encontre Yahiko, Kemi deve o ter dado algumas instruções... Encontre-o.

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- Depois de me dizer isso ele desmaiou, esperei ele acordar e o levei até uma velha curandeira, que está cuidando de suas feridas – Milon explicou – Ele disse que assim que puder irá mandar ajuda.
- Isso tudo, realmente aconteceu... Quer dizer... Esse ser maligno que estava selado dentro do meu avô?
- Sim, e agora eu tenho que impedir que ele liberte os outros... Droga! – Disse Milon – E então... Você sabe como chegar até esse Vale?
- Sim... Temos que ir ao deserto vermelho, lá provavelmente encontraremos uma das pedras usadas pelos magos para fazer o encantamento da barreira, existem doze pedras, se acharmos uma, ela nos levara as outras – Yahiko explicou lentamente enquanto organizava os fatos em sua mente.
- Mas como assim? – Milon indagou confuso – Que pedras são essas? que magos? Que barreira?
- Você não sabe de nada mesmo – Disse Yahiko – Depois eu te explico... primeiro temos que dar um jeito de sair dessa floresta, mas depois que fui atacado por aquele lobo e aquele homem me trouxe pra essa parte da floresta, eu não faço ideia de como sair daqui.
- Belo jeito de começar uma busca... Se perdendo!
- Pare de reclamar, você que não sabe de detalhe nenhum! – Gritou Yahiko irritado, nunca se dera muito bem com Milon, nunca tinham conversado por muito tempo. Yahiko se sentou no chão, abriu a mochila e tirou o velho pedaço de pergaminho – Era pra isso me ajudar – Disse enquanto estendia o mapa em braço no chão – Mas não faço ideia de como ler isso.
- Ah, nossa! – exclamou Milon se mostrando interessado e se sentando perto do pedaço de pergaminho – Essas coisas são muito raras, nunca pensei que existissem mais desses por ai. É um mapa elementar!
- Você sabe com revelar?
- Claro que sei! Esse mapa, ele representa o mundo todo – Milon Explicou – Cada fragmento contem partes de cada região do mundo, por isso são muito raros de serem encontrados mapas como esse! É com magia que se ativa as propriedades e revela a forma do mundo. Veja, vou te mostrar!
Milon cruzou as pernas, fechou os olhos e começou a fazer movimentos estranhos com ambas as mãos, Yahiko reconheceu os movimentos, eram idênticos aos que seu avô fizera da ultima vez. Enquanto realizava os movimentos Milon repetia cinco palavras em voz baixa, mas nítida o suficiente para Yahiko escutar.
- Maa, tuli, ilma, vesi, virta!
E assim como da outra vez o mapa começou a sofrer as mesmas mudanças, a tinta vermelha surgindo do papel como se fosse água e se espalhando por ele, percorrendo cada milímetro se transformando em gravuras nítidas de árvores, montanhas, rios, mares, cidades e países inteiros.


--------------------------------------- continua --------------------------------------------------

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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Capitulo 4 - O Guerreiro Prateado e o Dragão Flamejante




Capitulo 4
O Guerreiro Prateado e o Dragão Flamejante




Os dentes afiados do lobo negro fincaram na carne do ombro de Yahiko, o garoto gritou de dor, as presas do animal pareciam queimar, tudo foi escurecendo, suas vistas ficando turvas, suas forças se esvaindo. O desespero tomando conta enquanto sentia sua carne ser estilhaçada pelo lobo, seu braço iria ser arrancado se não fizesse algo, mas não tinha forças para pegar a adaga, para empurras o enorme animal ou para contra atacar, estava preso pelas raízes que apertavam cada vez mais, não tinha saída.

- Posso saber o que um garoto como você faz sozinho nessa floresta? – Uma voz grave e áspera encheu o ar - Acho que você acabou de perceber isso... Mas aqui não é lugar para brincadeira de criança!

Yahiko abriu os olhos com dificuldade e olhou a sua volta, não pode ver quase nada pelo fato de suas vistas estarem escuras pela dor causada pelas presas do grande animal que ainda se fincavam violentamente em sua carne. A única coisa que pode ver foi um vulto envolto em uma enorme capa negra, usando algo na cabeça, o que parecia ser um chapéu de palha. E então, tudo novamente voltou a ficar totalmente escuro, e ele perdeu a consciência.

- Ah, está acordado? Nossa, aquilo foi um grande azar, ser atacado por um Nuts enquanto a as raízes te prendiam... Por pouco você não morre!

- Do que está falando? Quem é você? – Yahiko perguntou confuso, abriu os olhos, ainda não enxergava quase nada, nem tinha forças para se levantar.

- Ah sim... Não se lembra não é mesmo? Bom, eu podia esperar que isso fosse acontecer, você é um garoto azarado – disse a voz áspera e grave mais alta que antes– Mas não se preocupe, aos poucos você irá recuperar os sentidos.

- Eu... O que era aquela coisa? – Yahiko indagou se lembrando vagamente de um enorme lobo negro o atacando – Digo... aquele lobo gigante?

- Não são simples lobos gigantes... Tem algo de mais anormal neles do que o tamanho exagerado – Voltou a escutar a mesma voz dizendo, agora mais próxima que antes, como se estivesse ao seu lado – Eles o mordem não para te despedaçar... só fazem isso para te deixar fraco o suficiente para atacarem seu espirito, essas bestas se alimentam de almas... Sugam toda sua força física primeiro, e depois, pouco a pouco vão sugando seu espirito, deixando apenas um corpo vazio. Aqui... Coma isso.

Yahiko fez força para se assentar e tentou abrir os olhos, apenas vultos mais uma vez, parecia estar em outra parte da floresta, sentado sobre um grande tronco de árvore, a poucos metros o mesmo vulto de antes, parecia ser um homem, envolto em uma capa negra, agora, sem o chapéu de palha, com os grandes cabelos negros soltos, ondulando com o vento, tinha aparência de um jovem, mas o olhar solene de alguém muito sábio. O homem estava lhe estendendo a mão com o que parecia ser uma fruta, o garoto estafa fraco demais, pegou-a da mão do homem apressadamente e começou a comer.

- O que você fez com aquele animal? – Indagou

- Eu o matei – O homem respondeu sorrindo.

O garoto o olhou paralisado por um instante, pensando na força destruidora do lobo, o homem estava sem nenhum arranhão ou sequer sinal de cansaço, devia ser muito forte.

- Quem é você? – Voltou a indagar em tom de surpresa e admiração

- Desculpe... Mas não vou responder... Não posso lhe dizer quem eu sou. E aliais... Quem faz as perguntas aqui sou eu – Respondeu calmamente e se sentou mais próximo do garoto – Essa floresta é um lugar muito perigoso, assolado por monstros e espíritos malignos, sem contar os ladrões e assassinos que se escondem por aqui... A pergunta é, o que um garoto fraco e despreparado como você está fazendo em um lugar como esse? 

- Não sou fraco! – Yahiko disse indignado

- Não foi o que percebi – Retrucou o homem no mesmo tom calmo – Vamos, responda minhas perguntas, é o mínimo que você pode fazer, afinal, salvei sua vida.

- É um assunto meu... - O garoto respondeu, o homem estava certo, era o mínimo que ele podia fazer, e que mal tinha nisso? O Homem até poderia ajuda-lo – Estou à procura do vale dos ossos verdes.

- Sério que você está à procura dessa lenda? – O homem disse depois de uma gargalhada escarnecedora – Bem... Por quê?

- Não acho que seja uma simples lenda – Yahiko respondeu – Meu avô... Ele me contou sobre o Vale, ele acreditava, queria o encontrar... E agora, ele morreu... Bom, eu acho que ele morreu, sai antes disso, ele estava muito doente, não queria o ver morrendo... Mas, eu vou encontrar todas as pedras, e então vou abrir a passagem para o vale, e vou realizar um desejo... Vou trazer minha mãe e meu avô de volta do mundo dos mortos.

- Entendo... Bom, eu também estou à procura do vale dos ossos verdes... Muitos estão, mesmo que talvez seja uma simples lenda – Disse sorrindo.

- Ah, porque você quer encontrar o Vale? – Yahiko perguntou sorrindo

- Não posso te dizer... Mas Deixe eu te contar uma coisa sobre as pessoas que estão a procura do Vale... Elas vão fazer qualquer coisa para que sejam as únicas a alcançarem seus objetivos... Principalmente eu.

- O que quer dizer com isso?

- Ah... te confundi? – O homem perguntou calmamente, e se levantou, abriu a grande capa negra revelando por baixo estar vestido em uma imponente armadura prateada, com um cinturão de ouro e uma espada embainhada em uma bainha do mesmo ouro do cinturão, sua mão que também estava envolta em uma luva do mesmo metal prateado da armadura segurou firmemente o cabo da espada e a puxou revelando a lamina brilhante que parecia queimar – Sinto muito meu jovem... Mas vou lhe poupar de todo esse sofrimento, você vai ter que morrer!

- Mo-Morrer? – Yahiko gaguejou se arrastando para trás, ainda não tinha forças para levantar  - Você salvou minha vida a pouco tempo... porque quer me matar agora??

- Oh... me desculpe, você tem razão, eu devia ter te deixado morrer – O homem disse como se aquilo não fosse importante e continuou com a espada apontada para o garoto – Sem duvida eu teria feito isso se soubesse antes que você está indo a procura do Vale Dos Ossos Verdes...

- Por que? Porque quer me matar só por causa desse vale? - Indagou desesperado

- O que tem lá não pode cair nas mãos de mais de uma pessoa... – Ele disse sorrindo - Entenda, é uma coisa única, feita somente para um escolhido... Se outro colocar as mãos na relíquia ela será corrompida novamente, e todo o ódio acumulado ira se espalhar para o mundo!

- Não foi isso que me contaram...

- Oh, existem muitas faces dessa lenda, mas acredite, somente uma é verdadeira... Ninguém sabe qual – O sorriso estampado em seu rosto se tornava cada vez mais sombrio – Mas todos defendem seus motivos egoístas com suas vidas, e para preservar essas vidas tiram outras... É um vicio psicológico que todos nós temos. Eu acredito nos meus motivos... Não, eu sei que é o verdadeiro, e só eu posso alcançar o que está, por isso... Vou matar todos que também queiram chegar até O Vale Dos Ossos Verdes.

- Você, é louco! – Gritou Yahiko

- Eu? Louco? – Disse gargalhando – Deixe-me esclarecer uma coisa pra você, se outra pessoa chegar antes que você no vale e pegar a pedra, pode esquecer essa sua fantasia de ressuscitar sua mãe e seu avô! Você também iria matar todos para alcançar seus objetivos, por mais nobre que julgue ser esse seu sentimento, ele é podre como de todos que estão a trás dessa lenda!

As árvores altas tomaram um ar mais assustador depois dessas palavras, o coração do garoto pesou, era verdade... Ele tiraria a vida de alguém para trazer de volta seu avô e sua mãe, isso não o fazia melhor que o homem na armadura prateada, não o fazia melhor que ninguém.

- Bom, chega de explicações... Até porque é aqui que você dá “adeus” ao mundo e “olá” aos seus queridos mortos! Hahahahaha!

Os olhos do garoto estavam arregalados, a respiração ofegante fazia o peito levantar e abaixar rapidamente, o desespero tomava conta de sua mente, viu a grande espada flamejante levantar acima de sua cabeça e descer tão rápido que não pode acompanhar com os olhos o que aconteceu.

Em apenas um piscar de olhos a lamina que vinha em sua direção em uma velocidade e força extraordinária foi bloqueada por uma garra grande e de um dourado brilhante, Yahiko olhou assustado ao ver que a garra pertencia ao braço de um dragão que tinha as escamas de um dourado mais puro e brilhante que as garras, porem o braço não estava ligado a um dragão e sim a um garoto, mirrado e alto, de cabelos louros e com os olhos azuis tomados por arrogância que se refletia também em seu sorriso atrevido.

- Seu inútil, ia ser morto por um simples golpe de espada? – Milon disse e com um só movimento jogou a espada do homem para longe – Sinceramente Yahiko... esperava mais de você!

- Milon?! – Yahiko estava perplexo – O que está fazendo aqui?

- Vim te procurar, oras! – Milon respondeu e fechou o punho do seu braço transformado em dragão – Pelo visto você está em apuros, todo machucado e quase foi cortado por uma espada... Sinceramente, o que você tem na cabeça para vir até essa floresta sozinho?

- Ora, ora, mas que interessante! Agora são dois para eu matar! – Disse o homem, agora com certa fúria no olhar – Não vou poupar a vida de ninguém que entre no meu caminho!

- Então venha me matar! – Milon retrucou, esticou seu braço na forma de dragão e ele começou a diminuir significativamente, retornando pouco a pouco a sua cor original, as garras se recolhendo e as escamas sumindo – Tente, se puder!

- Não está se achando demais garotinho? – riu o homem na armadura prateada – Como se um grande guerreiro como eu fosse ter dificuldade para matar um simples garoto!

- Vou te fazer engolir essas palavras!

E o ruído assustador novamente começou a tomar conta da floresta ao redor dos três, as árvores movendo suas raízes violentamente, pressentindo o momento hostil que se aproximava, se alimentando dessa energia.

Estavam a poucos metros um do outro, Yahiko ainda estava caído perto de um tronco de árvore, olhava aparvalhado. O guerreiro na armadura prateada empunhou sua espada e correu em direção ao garoto louro, se impulsionou em um salto, moveu sua espada ameaçadoramente, queria decepar a cabeça de Milon com um único golpe, este também deu um salto ficando cara a cara com o homem, um olhar fixo. Os golpes começaram a ser desferidos e bloqueados rapidamente, socos chutes e golpes de espadas por parte do Guerreiro na armadura prateada, todos estes muito bem desviados por Milon. O desferiu um chute fazendo uma rotação para pegar mais força, na direção do peito protegido pela armadura. O guerreiro segurou a perna do garoto e o arremessou para o solo, Milon caiu de costas, não teve tempo para se mover, pois o homem já vinha caindo em sua direção com a espada apontada diretamente para seu peito.

- Milon! – Gritou Yahiko que assistia tudo sem poder ao menos se mexer, a ferida de seu ombro queimava, e seu corpo, parecia estar desprovido de força física. Olhou para Milon e por um instante viu o garoto dar um daqueles sorrisos de desprezo.

Em seguida Milon escancarou a boca e soltou um grito que mais parecia um rugido, seu peito arquejou e junto com o som selvagem que saia de sua boca a chama de um fogo vivo e agressivo começou a se formar e sair de sua boca enquanto tomava a forma de um dragão em chamas indo na direção do guerreiro e o envolvendo completamente em seu corpo flamejante.

- Dragão flamejante! – Milon gritou e estendeu sua mão na direção do dragão de fogo que envolvia o corpo do homem que gritava enquanto tinha seu corpo queimado e fechou o punho, no mesmo instante o dragão se apertou mais em volta do homem e brilhou com toda a intensidade enquanto suas chamas eram aumentadas ao máximo – Morra!



---------------------------------------- Continua *~*------------------------------------------

Desenho ficou feio e.e

domingo, 11 de dezembro de 2011

Capitulo 3 - A Floresta Negra do Norte

Hey yo leitores e leitoras *0* Então... Primeiramente... desculpa por demorar tanto pra postar esse capítulo (-__-) aconteceram algumas coisinhas (provas, trabalhos, doenças Ç.Ç) mas enfim... ai está o 3° capitulo *0* espero que gostem ^^ ah eh... dá ultima vez disse que iria fazer um desenho... mas o desenho só no próximo capítulo mesmo, gomenasai -.- prometo que será em breve ^^



O vale dos Ossos Verdes - Capitulo 3
A Floresta Negra do Norte








A noite foi extremamente fria e solitária para Yahiko, não saiu para ver as estrelas cintilantes espalhadas céu feito pedrinhas de diamantes espalhadas em um veludo negro. Ficou apenas sentado em sua cama fria embrulhado pela escuridão de seu quarto, seus pensamentos focados no que fazer dali pra frente. Sabia que seu avô morreria, mas se recusava a aceitar isso. Mesmo que ele morresse estava disposto a fazer de tudo para trazer seu avô de volta a vida.
 Não suportaria a ideia de perder mais uma pessoa amada, não queria ficar sozinho, sim, isso era egoísmo, mas mesmo assim ele continuaria com seu plano. Iria recolher todas as pedras e abrir o caminho para esse tal vale dos ossos verdes, e então, usaria o que tivesse lá, fosse a estatua de Yula, o mago, ou a pedra que materializava desejos, fosse o que fosse, ele chegaria lá pelo seu avô, nem que morresse para isso. 
Quando os raios dourados do sol iluminaram melancolicamente o grande tapete de grama verde que se espalhava pela frente da grande casa em que Yahiko morava o garoto se levantou de sua cama, pegou uma mochila velha passou sorrateiramente pelos corredores da casa, atravessou a vila correndo e foi até o salão de treino, entrou pela mesma porta pequena e chegou até a sala onde estivera com seu avô da ultima vez, foi até o armário e pegou o mapa magico, dobrou-o e enfiou na mochila, pegou mais alguns livros antigos na esperança de que eles tivessem alguma informação útil e o livro em que seu avô tinha lido a lenda e também os enfiou na mochila. Pegou também uma capa de cor azul metálico e algumas adagas.
Voltou ao seu quarto antes que as pessoas da vila e os empregados da casa acordarem e depositou sua mochila de couro envelhecido antes vazia, agora cheia de mistérios e aventuras em um canto debaixo da cama, e voltou a se sentar, olhando fixamente pela janela, de onde podia ver o sol nascendo em todo seu resplendor e banhando toda a montanha com seus raios mornos e atraentes. Ficou parado pensando se iria agora ou esperaria até o dia seguinte. Se perguntava se poderia simplesmente sair assim, sem ao menos dar explicações, se essa atitude não iria piorar as coisas, mas essa seria sua única chance. Se essa tal lenda fosse mesmo real ele poderia trazer não somente seu avô, como também sua mãe de volta a vida, era uma chance que ele não estava disposto a perder.
Então simplesmente se levantou, pegou sua mochila jogada no canto embaixo da cama e jogou nas costas, saiu do quarto caminhando lentamente. Andou pelas ruazinhas de pedra em contraste com a grama muito verde iluminada pelo sol morno da manhã, deu uma ultima olhada nas flores brancas manchadas de vermelho que enfeitavam a vila do topo da montanha em que morava e continuou caminhando até o grande e imponente portão de saída, onde a grama e a ruazinha de pedra terminavam e começava a grande escada de trezentos e noventa e nove degraus, essa seria a ultima vez que desceria aqueles degraus, em muito tempo, tinha certeza de que a tarefa que tinha tomado para si não seria fácil.
Desceu os primeiros degraus lentamente, parou no quinto, deu uma ultima olhada para a grande construção no canto mais alto da montanha, o lugar onde seu ovo treinava os jovens bélicos, olhou para a casa onde vivia, com seu telhado escuro, suas paredes claras e seus detalhes em tons de azul e prateado. Percorreu o olhar pela vila, calma, onde costumava brincar quando era pequeno, olhou tudo aquilo e se prometeu que iria voltar.
O restante dos degraus foi descido sem que ele olhasse para trás, evitando qualquer tipo de pensamento sobre o que iria acontecer, ou sobre seu avô, sua mãe ou seu pai. Concentrou-se apenas em como chegaria até o tal deserto vermelho. Desceu o ultimo degrau e envolto em seus pensamentos apenas continuou andando, se forçando para não olhar pra trás, pois sabia que se olhasse iria querer voltar, e iriam impedi-lo de partir, principalmente seu avô.  
O garoto já estava há quilômetros de distancia quando um grito ecoou na vila que acabara de deixar. A mulher gorda que estava tratando do velho Kemi acaba de entrar no quarto onde o velho descansava e ao tocar seu corpo percebeu que ele estava frio. Correu para avisar o neto do velho, mas não o encontrou em seu quarto, foi até a escola e ele também não estava lá.
- O que aconteceu? – Um garoto de olhos e cabelos dourados perguntou ao ver a mulher olhando por todos os cantos da escola
- Ah Milon, você viu o Yahiko? – Ela indagou
- Não, por quê?
- Kemi... Faleceu.
- O quê?? – Milon gritou assustado – Quando? Por quê?
- Hoje pela manhã, quando fui ao quarto ele já estava morto – A mulher começou a explicar um tanto afobada – Ele foi mordido por um lagarto de sete dentes... E morreu, assim como todos com são infectados pelo veneno desse animal.
Milon ficou aparvalhado com a noticia, saiu correndo da escola, atravessou a vila o mais rápido que pode e cruzou os corredores da casa de seus mestre até chegar no quarto onde o corpo do velho Kemi descansava em paz. Se ajoelhou a beira da cama e ficou olhando o velho, seu professor. Estendeu a mão para tocar a face do corpo, mas ao tocar a superfície gelada algo inesperável e assustador aconteceu.
O corpo ficou em uma tonalidade cinza e rachaduras começaram a surgir da pele, então de uma só vez o velho se dissipou no ar, deixando apenas um pequeno montinho de cinzas no lugar. 
- Que isso??? 



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Longe dali o jovem Yahiko continuava com sua jornada recém iniciada, estava chegando perto da cidade de Ventania, onde no dia anterior tinha tomado conhecimento da primeira pista que levaria até o Vale dos Ossos Verdes. Estava acostumado a passar horas e horas andando pelas ruas daquela cidade pacifica e agradável, entrando em lojas, conversando com seus amigos, mas dessa vez ele iria evitar a cidade. Não queria que ninguém soubesse que ele estava partindo.
Porem, a cidade de Ventania se localizava na fronteira do País Dos Sete Ventos, depois dela havia uma grande floresta, conhecida como Floresta Negra do Norte, essa floresta se estendia por milhares de quilômetros, Yahiko nunca tinha sequer entrado nela, e não fazia ideia do que havia depois dela, a única coisa que sabia era que existiam inúmeros monstros, ladrões e perigos de todos os tipos escondidos entre aquelas enormes árvores e que o único jeito de deixar o país e ir para o Deserto Vermelho, como para qualquer outro lugar sem ter que passar por aquela cidade era entrar naquela mata e enfrentar o que quer que tenha lá. 
- Ai ai... Isso vai ser problemático – Ele disse a si mesmo, se sentou em uma pedra bem grande a beira da estrada de terra em que andava e abriu sua mochila, olhou tudo que estava lá dentro e retirou o mapa, desdobrou-o, estava em branco, como da primeira vez em que o vira, antes de seu avô proferir as palavras que revelava as informações naquele simples pedaço de papel envelhecido – Se eu amenos soubesse o que ele disse... Bom, de um jeito ou de outro terei que entrar na floresta se quiser ir a algum lugar... Então melhor fazer isso logo!
Guardou o mapa na mochila e em um salto se levantou da pedra e continuou a caminhar pela estrada de terra. Em pouco tempo já estava chegado perto dos portões da cidade, naquele ponto a estrada se dividia em duas, a primeira seguia reto ao norte, dando direto no grande portão de madeira da cidade, a segunda seguia a nordeste por mais alguns quilômetros e então adentrava a grande e densa floresta, Yahiko não sabia mais que isso sobre aquela estrada, mas mesmo assim seguiu por ela.
O céu daquela manhã era azul, um azul claro em que os pássaros voavam tranquilamente, se deleitando com o sol morno e a brisa suave, mas essa atmosfera foi mudando aos poucos, a cada quilometro, a cada metro, e finalmente quanto faltavam apenas alguns passos para adentrar na densa mata de árvores grandes de troncos grossos de um verde escuro e envelhecido, o ar ficou pesado, os pássaros se calaram, desapareceram do ar, o céu foi perdendo sua cor azul e se escondendo atrás das copas das árvores. Yahiko parou a beira da orla da floresta, olhou a estrada a sua frente que aos poucos ia sumindo e se tornando cada vez mais estreita e sombria enquanto adentrava cada vez mais na escuridão da floresta. Não pode deixar de sentir um pouco de medo, mas mesmo assim prosseguiu em seu caminho, seguindo a estrada e entrando cada vez mais na floresta.
Uma das coisas que assustam todos os que entram na Floresta Negra do Norte é o fato de o tempo lá não fazer sentido, não importa o tanto que você ande, pode ser apenas um metro, ou caminhar por um dia inteiro, a impressão que se tem é que você sempre esteve lá, as arvores são todas iguais, e chegue uma hora em que uma densa neblina começa a tomar conta de tudo a sua volta, e era isso que estava acontecendo com Yahiko naquele momento. Já tinha dado inúmeras voltas, saído da estrada por onde entrara e ido para em um lugar desconhecido, mas ao mesmo tempo familiar. Sua cabeça começava a rodar e ele tinha aquela impressão de que sempre estivera ali.
Um ruído percorria todo o lugar a sua volta, a neblina surgia sorrateiramente e tomava conta do solo, dando a impressão de que se estava caminhando sobre a nevoa, sem tocar o solo. O som assustador passava pelas árvores e parecia percorrer o solo, passar debaixo dos pés do garoto e até mesmo estar no ar a sua volta. Era como se houvesse alguém o espreitando, observando cada movimento. O chão estremeceu e ele percebeu algo vindo em sua direção. Deu alguns passos pra trás para se afastar do que quer que fosse aquilo, mas como não podia ver o solo em que estava pisando acabou tropeçando em uma raiz e caiu batendo a cabeça no tronco de uma árvore morta que repousava caída no chão coberto de neblina.
Yahiko arregalou os olhos ao ver que o que o assustara era um inseto, não um simples inseto, mas uma espécie de vespa de aproximadamente trinta centímetros de comprimento, vermelha e verde, com olhos grandes e amarelos, da cor do ferrão e das garras. Mas o garoto se assustou ainda mais quando em menos de um instante o inseto foi estraçalhado garras grandes e afiadas. A menos de um metro de onde ele se encontrava, surgindo por entre a nevoa e as arvores, uma animal gigante, o que parecia ser um lobo negro, rajado de azul, com dentes grandes mostrados em sua boca arreganhada em uma espécie de sorriso, dando passos longos e lentos, se preparando para atacar.
Ele não sabia o que fazer, o animal era quatro vezes o seu tamanho, e ele era fraco, não podia se transformar em dragão pois sabia que isso só deixaria as coisas mais fáceis para o grande lobo negro. Mas de um jeito ou de outro teria que lutar, ou seria devorado. Deslizou sua mão para dentro de um bolso da mochila e puxou uma das adagas que tinha pegado na sala de seu avô, se levantou rapidamente e segurou a adaga o mais forte que pode, o lobo instantaneamente se impulsionou para cima de Yahiko em um salto, arreganhando ainda mais sua boca, pronto para estraçalhá-lo.
Yahiko pulou para a direita para desviar, o lobo encravou seus dentes e suas garras no tronco de árvore que estava atrás do garoto, este correu e se afastou do animal antes que ele se desprendesse. O que não foi muito difícil, o lobo apenas apertou mais sua mandíbula ao redor do tronco e o partiu em dois jogando os pedaços de madeira para os lados, olhou furiosamente para o garoto e novamente saltou para cima dele, Yahiko não teve tempo para desviar, se protegeu com a adaga, o lobo mordia a lamina como se quisesse a quebrar com a mesma facilidade com que estraçalhara o tronco de árvore. A adaga não era comum, era forjada de um metal muito resistente, banhada a ouro, feita pelo clã dos dragões cinzentos, especializados em construir armas muito resistentes e com propriedades magicas. Mas Yahiko não tinha certeza se aquilo bastava para lhe salvar daquele animal feroz, empurrou com força e conseguiu afastar o lobo que caiu a alguns metros de distancia flexionando suas patas prontas para atacar novamente.
Então novamente aquele ruído assustador começou a percorrer tudo a sua volta, como se alguma coisa se arrastasse em baixo de seus pés, escondida na neblina. Subitamente ele sentiu sua perna ser envolta por algo frio e áspero, a coisa continuou a subir por sua perna e enlaçou seu corpo o mobilizando rapidamente, parecia ser uma raiz de árvore.
- Mas que droga é essa? – O garoto gritou enquanto se debatia dentando se livrar das raízes que o imobilizavam, mas não teve tempo de ver mais nada.
Quanto percebeu já era tarde demais, o grande lobo negro ao perceber que sua presa estava imobilizada tinha saltado para cima dele, sua boca escancarada de forma mais feroz que nunca, as garras se projetando ao encontro do corpo do garoto, e então... 



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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O Vale Dos Ossos Verdes - Capitulo 2 - A Batalha Do Vale


Bom... Aqui está o Capitulo 2, finalmente xD Demorei um pouco porque quando criei o primeiro capitulo dessa história foi um surto de criatividade, então eu não tinha resolvido muitas coisas... Não fazia ideia de como continuar... ainda não sei xD Tem coisas que vão estar estranhas... mal resolvidas, e etc... Bom... não esperem muito xD Só espero que se divirtam lendo ^^


Capitulo 2 - A Batalha Do Vale


- Oh... Já sei do que se trata então! – Disse o velho Kemi com um sorriso nos lábios murchos – O deserto de areia vermelha!

E apontou para uma parte do mapa, totalmente vermelha, assim que o dedo do velho encostou no papel magico ele pareceu se ampliar, e foi mostrando cada vez mais nítido os contornos da areia, as dunas e até mesmo alguns animais que passeavam pelo deserto. O nome do lugar estava bem explicito na areia vermelha e densa que o formava.

- Só não entendo o que esperam encontrar nesse lugar – Disse Kemi pensativo – Anos e mais anos sustentando essa lenda e a única coisa que deixam escapar é essa pista vaga.

- Vovô... Do que você está falando? – Yahiko perguntou confuso – O que é essa lenda de que o senhor falou?

- Ah, me desculpe Yahiko... Esqueci que nunca te contei essa história... Bom, ela nunca foi considerada verdadeira mesmo, não achei que deveria te envenenar com a mesma obsessão por algo irreal – Kemi disse dando alguns tapinhas na cabeça do neto - Mas pelo visto, agora tenho um motivo para acreditar que ela seja verdadeira... Só espero que essa tal pista tenha sido anunciada por um dos sábios do conselho... Se não, não ira passar de mais uma pista falsa.

- Pista para quê? – O garoto continuava confuso

- Para o Vale dos Ossos Verdes! – Kemi disse em plena animação e percorreu os dedos pelo mapa, parando bem no centro, no mar de vidro, onde todas as água de todos, os mares, rios e lagos das regiões planeta desaguavam, onde se encontrava uma ilha muito grande e inabitada, protegida por grandes paredes de rochas, mas o mapa não mostrava nada mais além dessas paredes, apenas uma grande escuridão – Essa é ilha onde tudo começou, tudo!

- Porque não o mapa não mostra em detalhes, assim como os outros lugares? – Indagou Yahiko – Porque está escuro?

- Magia! Uma magia forte que protege este lugar do mundo! - Respondeu Kemi – Uma magia que protege o que está ali das pessoas gananciosas deste planeta.

- Protege o que?

- O vale dos Ossos verdes! – Kemi disse e se levantou, foi até as prateleiras da parede e puxou um grande livro, capa de couro envelhecido, com a gravura de um homem de armadura esverdeada na capa e, abriu o livro – Aqui... Essa história tem algumas centenas de anos... Alguns não acreditam, outros fazem dessa lenda os motivos de suas vidas... Eu... Bom... Deixe-me te contar o que aconteceu Yahiko.

“Tudo começou no vale de Hetmór, onde habitavam simultaneamente duas das raças mais poderosas de todo nosso mundo. Nós, os Bélicos, guerreiros capazes de se transformar em dragões, dotados de força e habilidades inimagináveis para as outras raças e os Magos, homens inteligente, dotados de magia única e formidável.”

“Esses magos que habitavam o vale de Hetmór usando seus sortilégios, juramentos e magias profundas criaram um objeto magico, um colar que carregava uma pequena pedra verde, tamanho era o poder desse objeto que só conseguiram criar um. Essa criação continha inúmeros poderes, mas o mais cobiçado deles era o poder de materializar os desejos de seu portador.”

“Nossos ancestrais Bélicos não possuíam poderes para criar algo tão incrível e foram tomados de certa inveja... Mas quem não ficaria? Passaram se anos, e os magos ia ficando cada vez mais fortes, chegando a dominar totalmente o vale. Um grupo em particular de Bélicos tentou destruir esse objeto, mas sua tentativa foi apenas um mero fracasso. E todos foram mortos.”

“Os chefes de nossos ancestrais acusaram os magos de criar uma arma para destrui-los e declararam guerra contra os magos. A guerra se estendeu por anos, pois mesmo tendo aquele objeto magico os magos tiveram um grande trabalho para sobrepor a força dos grandes dragões bélicos. Foi em uma noite, que Quantein um dos chefes do clã dos dragões Negros conseguiu atravessar as barreiras inimigas e atacar diretamente o Chefe dos Magos, Yula. Porem, Yula era dotado de uma capacidade extraordinária de prever o próprio futuro, assim ele conseguiu escapar, e outro mago foi morto por engano, em seu lugar.”

“Depois disso a guerra ficou incrivelmente violenta, e boa parte dos magos e bélicos foram mortos. Alguns queriam um acordo de paz, e formaram um grupo pacifista, que se isolou da guerra e buscava apenas uma solução para ela. Foi então que descobriram que a guerra em si, era um desejo.”

“Sim, um desejo materializado pela relíquia. Um desejo de seus criadores, um dos magos Anciões, que sonhava em destruir todos os habitantes para poder ter todo o poder do objeto magico apenas para si. E que a relíquia em si, alimentada por todo esse desejo de poder do Ancião, havia sido nutrida de ódio e ganancia e tomara vida própria, possuindo a mente do velho mago. Se transformando em puro ódio.”

“Mas quando descobriram isso a guerra já estava muito avançada, não conseguiria mais conte-la, pois não eram mais questões politicas, e sim pessoais. Os que ainda guerreavam não estavam ligando para a relíquia ou para quem governaria o vale dali para frente, estavam vingando a morte de seus companheiros.”

“O grupo pacifista então contatou Yula, e o contou sobre os reais motivos naquilo, e pediram para que ele desse um jeito naquilo, antes que todo aquele ódio atingisse o mundo. Yula usou seus poderes para erguer as paredes de rocha magica que isolam a ilha do resto do nosso mundo. E doze magos dentre aqueles do grupo dos pacificadores fizeram uma barreira magica. Apenas aqueles que não estavam consumidos pelo ódio conseguiram atravessar a barreira magica erguida. Dizem que todos os outros, inclusive o próprio Yula, se transformaram em estatuas de esmeralda, daí o nome do vale... que não se chama mais Hetmór, O Vale Dos Ossos Verdes”.

Quando Kemi terminou de narrar lenda Yahiko o olhava com um olhar desconfiado. De quem não acreditara em nenhuma palavra.

- Mas... Vovô... O que isso tem haver? – Yahiko perguntou

- Você quer dizer o porquê de esta lenda ser famosa?

- Sim... Porque querem entrar nesse tal vale?

- Bom... Não se sabe se isso é verdade ou não, mas dizem que a estatua de Yula preservou todos os poderes dele, e aquele que tocar a estatua primeiro recebera todos esses poderes – Explicou Kemi - Alguns dizem que a pedra em si foi restaurada depois que Yula usou essa magia e que agora ele está limpa de todo o ódio, e agora quem usa-la terá todos seus desejos realizados... Outros procuram esse vale apenas pelas estatuas de esmeralda, são milhares... Dariam uma grande fortuna.

- E você vovô? Porque quer encontrar esse vale?

- Por que... Porque lá é minha origem, onde nasceu nossa raça, Somente lá que um bélico pode atingir todo o seu poder, se transformando em seu verdadeiro dragão... Tudo o que fazemos aqui é uma mera transmutação... Lá, poderemos nos tornar dragões! Dizem que é por isso que os magos também tentam encontrar esse lugar... Porque lá está a raiz de sua magia!

- Nossa! Isso é incrível! – Pela primeira vez Yahiko mostrou interesse na lenda – Quer dizer que lá eu vou ter mais chances de ter uma boa transformação?

- Absolutamente... mas isso não quer dizer que você não precise treinar! – Kemi disse e guardou o livro – Existem muitos mistérios envolvendo aquele lugar, muitos dariam a vida para estar lá... Muitos tirariam vida para alcançar tamanho poder.

- Mas vovô... Ainda não entendi o que isso tem haver com a tal pista que o senhor Felich falou... O tal do Deserto vermelho.

- Bom... Lembra da barreira magica da qual eu te falei? – Indagou Kemi, seu neto assentiu com a cabeça – Essa barreira foi feita por doze dos mais sábios e poderosos magos, os magos, tem uma espécie de pedra magica na ponta de seus cajados, e essas pedras que esses sábios usavam são as chaves para quebrar a barreira magica e entrar no vale dos Ossos Verdes... Depois que saíram de lá, cada um desses sábios tomou seu próprio rumo, com o passar do tempo, a lenda foi se espalhando e alguns começaram a procurar esses magos, para roubar-lhes as pedras e usá-las para entrar no Vale.

“Então, os magos abriram mão de seus poderes e se livraram das pedras, não destruindo, pois se o fizessem acabariam com o encantamento que protegia o vale. Eles as esconderam, em lugares que ninguém sabe, mas dizem, que se você achar uma das pedras ela lhe levara a outra, e a outra lhe levara a mais uma e assim por diante, até que você encontre todas as doze.”

“Por muito tempo foi especulado o paradeiro dessas pedras... mas ninguém nunca achou uma verdadeira... somente pistas falsas. Mas agora que disseram algo sobre o deserto vermelho, creio que posso ser verdade. Mas já estou velho demais para isso... e de certa forma, já não vejo o porque de arriscar minha vida para conseguir algo que pode até mesmo não ser real.”

Dias se passaram desde que Yahiko ouviu essa lenda pela primeira vez. Passou a sempre conversar com seu avo depois disso, se esforçava mais nos treinos, de certa forma estava mais motivado, queria que um dia ele pudesse ser capaz de ter uma boa transformação para ao menos ser digno de entrar no vale de Hetmór.

Em uma sexta feira, dia de treino de voo, Kemi não compareceu para dar aula. Em seu lugar foi mandado um de seus ex-alunos, os jovem de pele morena e longos cabelos negros. Um dragão negro. Foi uma das melhores aulas que já tiveram, porem Yahiko não aproveitou muito o treino, pois ficou pensando em seu avô, esse fato fez com que seu dragão ficasse mais ridículo que o normal, o que fez todos caçoarem ainda mais dele.

Assim que o treino acabou ele saiu apressado, percorreu todo a escola, que ocupava todo o topo da montanha, e desceu pelas escadas laterais, que levavam a outra montanha, onde se encontrava uma vila onde grande parte dos bélicos daquela região vivam. Passou correndo entre as casas altas e com as janelas escancaradas e foi a casa onde morava junto com seu avô.

Ao entrar no quarto de Kemi, Yahiko e encontrou deitado sobre uma cama, com o semblante pálido e abatido. Ele se ajoelhou a beira da cama do avô e segurou sua mão.

- Yahiko... Como foi hoje o treino? Espero que Gume tenha dado uma boa aula... – Disse o Velho com a voz baixa e interrompeu a frase para tossir fortemente.

- O que você tem vovô?

- Adoeci um pouco... Nada muito grave! – O velho disse forçando um sorriso lateral – Logo vou estar bem, não se preocupe.

- É mentira dele! – Disse uma mulher bem gorda, de bochechas rosadas e um semblante severo entrando no quarto – Seu avô está muito doente... Foi mordido pelo lagarto de sete dentes!

Yahiko parou assustado. Não queria acreditar no que havia ouvido daquela mulher. Na região montanhosa onde moravam, existiam inúmeros animais perigosos, alguns com venenos mortais, e esse lagarto era exatamente um dos piores. Como se não bastasse era o mesmo lagarto venenoso que matara a mãe de Yahiko quando ele era pequeno, e depois que sua mãe morreu seu pai simplesmente desapareceu de casa, o que o fez ir morar com seu avô. E agora, novamente ele estava prestes a perder seu tão querido avô.

- Não é possível! – Yahiko sussurrou – Não é possível!

- Não se preocupe... É preciso mais do que um simples lagarto idiota para acabar comigo! – Disse Kemi tranquilizando o neto dando tapinhas em sua cabeça.

- Não seja idiota! – Gritou Yahiko e afastou a mão do avô de si bruscamente – Você vai morrer! Assim como ela!

- Yahiko...

- Mas... Eu não vou deixar!

- Mas o que você pode fazer? – Indagou a mulher com um tom de escarnio – Você é só um garoto... não pode fazer nada.

- Sim... Eu posso! – Disse ele e caminhou bruscamente até a porta – Mesmo que você morra vovô... Eu irei te trazer de volta!


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Bom, é isso ai! Aguardem o próximo... vou me esforçar mais para deixar com uma qualidade um pouco melhor. Kissus Kissus leitores <3 arigatou por lerem. ^^

Ah... mais uma coisinha xD Talvez para próximos capítulos eu comece a fazer algumas ilustrações... igual a que eu fiz no conto de Halloween... bom, vou tentar fazer um desenho mais "bunitinho" da próxima xD aguardem! (^__^)/

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Conto Especial de Halloween - A Garota de Vestido Azul


Ficou tosco esse conto... Nem tá assustador, eu podia ter colocado um monte de coisas, mas fiquei com medo de escrever e.e Pois é... Eu sou medrosa xD Mas, mesmo assim vou postar xD Feliz Halloween pra vocês ^^


A Garota De Vestido Azul

Era uma floresta densa, com árvores altas e grossas por toda a parte. A luz do sol não entrava naquele lugar, o que deixava a floresta ainda mais escura e espantosa. Uma neblina sempre pairava pelo solo, e havia uma lenda. Nas proximidades da floresta havia uma pequena vila, com suas casas de madeiras coloniais, sua praça pequena com uma fogueira para queimar as bruxas no centro e sua igreja pequena, mas ainda assim imponente, com uma torre grande na qual continha um sino que badalava a cada hora. Nessa vila que surgiram os boatos de que aquela lenda era verdade.

No canto mais afastado da vila, bem próxima da orla da floresta morava uma humilde família, um pai alto e esguio, uma mãe abatida pelo cansaço do causado pelos tempos pobres e difíceis da família e um menino de aproximadamente nove anos, ele era magro, mirrado e fraco, seus cabelos louros eram espetados que se chamava Jean. É claro essa família já tinha escutado essa lenda milhares de vezes, o passatempo preferido dos garotos da vila eram assustar Jean com aquela história sempre que tinham oportunidade. Mas ele não tinha medo, afinal, já tinha entrado muitas vezes na floresta procurando cogumelos para sua mãe colocar na rala sopa e nunca sequer vira a sombra da tão temida garota do vestido azul.

A lenda dizia que naquela floresta há muito tempo atrás entrou uma menina, ela usava um vestido azulado. Sua mãe havia lhe avisado para não entrar naquela floresta... mas ela não obedeceu. Ficou por horas andando por ali, olhando as belas flores e os esquilos. Não percebeu quando a noite chegou. Quando percebeu tudo já estava escuro e ela não conseguia encontrar o caminho para voltar a sua casa. Ela correu e correu, e entrava cada vez mais fundo na floresta. Depois de horas assim ela encontrou uma caverna, onde ninguém ousava entrar a anos, mas ela não sabia disso.

Quando as luzes verdes se acenderam e uma voz pediu para ela aceitar uma proposta, “Sua alma em troca de tudo o que ela quisesse” ela aceitou e pediu para passear todos os dias na parte mais bonita da floresta. Algo tomou conta de seu corpo e ela se perdeu pra sempre. Dizem que todos os dias ela caminha pela floresta, saltitando ao redor das arvores e cantarolando... E todos que a viam eram levados para a caverna, e nunca mais saiam de lá com vida.

Em um finalzinho de tarde, o sol quase escondido por trás das copas das árvores banhava o céu de um dourado brilhante, as nuvens alaranjadas e avermelhadas completavam o espetáculo. Uma pipa de papel vermelho voava pelo céu, Jean a controlava com um sorriso enorme no rosto, seu pai havia a feito com um restante de papel e alguns gravetos, era uma boa pipa, a melhor que ele já tivera. Um vento forte vindo do nada bateu na pipa que voava alegremente, brigou com ela no ar e a forçou a cessar seu voo, caindo em um mergulho feroz, viajando no vendo e caindo dentro da floresta.

Jean olhou assustado, o sol estava quase desaparecendo por completo, sua mãe havia lhe pedido para não entrar na floresta de noite, não por causa da lenda, mas por causa dos animais ferozes que moravam lá. Mas ele não podia deixar a pipa que seu pai fez com tanto esforço jogada naquela escuridão. Ele sem pensar muito saiu correndo em direção à floresta, entrou por seguindo uma estradinha coberta por folhas húmidas e galhos secos. Tudo estava escuro e húmido, ele não conseguia enxergar dois passos a sua frente. A neblina que cobria o chão não o permitia enxergar onde pisava.

Mas mesmo assim ele continuou, foi adentrando cada vez mais a floresta, se afastando cada vez mais da luz do luar e da vila e mergulhando mais e mais fundo na escuridão. Até que conseguiu enxergar o vermelho do papel há alguns metros de distancia, ele abriu um sorriso no rosto e correu em direção à pipa. Mas algo o perseguia, algo rápido que emanava um brilho próprio que iluminava os trocos e os galhos das árvores por onde passava. A coisa o ultrapassou e agarrou a pipa primeiro. Era uma menina de rebeldes cabelos louros, sua pele era cinzenta e seus olhos arregalados vermelhos, seu sorriso era largo e afiado, suas mãos finas e longas, parecendo garras. Seu vestido rasgado e sujo de lama e folhas era de um azul escuro brilhante.

Jean Gritou, mas sua voz não saiu, tentou se mexer, mas seu corpo não o obedeceu, tudo foi ficando cada vez mais escuro, e ele apenas escutava uma voz esganiçada dizendo “Venha comigo, venha comigo!” até que não escutou, ou enxergou mais nada.

Abriu os olhos aos poucos, não enxergou nada mais que a escuridão. O ar estava úmido e pesado, um cheiro de podridão tomava todo o ambiente. Ele tateou o chão para se levantar, era úmido e gosmento, apalpou as paredes do que parecia ser algum tipo de caverna, as pedras frias, duras e pontudas machucaram suas mãos. Estava desesperado, seu coração batia tão forte que parecia que iria arrebentar seu peito.

- Onde eu estou? – ele sussurrou e depois gritou – Socorro!

Ele ouviu o som de algo se arrastando, se movendo lentamente na escuridão. Então sentiu uma respiração quente a poucos centímetros de sua face. Ele paralisou. Em um segundo o ambiente ficou mais escuro que antes, foi como se as sombras ganhassem vida e o prendessem ali, ouviu sons, vozes e sussurros, gritos, todos dizendo a mesma coisa “Saia daqui... Não acabe como nós... Saia daqui... Fuja dela enquanto pode!” Então ouve um vendaval e todas as vozes se calaram.

Silêncio. Jean ainda estava parado, não conseguia mover nem um musculo. Então luzes azuladas começaram a brotar das rochas que formavam as paredes e o teto da caverna. Seus olhos arregalados fitaram o vermelho dos olhos da menina loura a sua frente, ela exibia o mesmo sorriso macabro de antes. A única coisa que disse foi:

- Você aceita minha proposta?

Ele se lembrou do conto. Se lembrou do que aconteceu aquela menina. Tentou se mexer e sair correndo, mas seu corpo não o obedeceu. Ele continuou a tentar. A menina estendeu as mãos em forma de garra para ele e tentou segurar seu braço, mas ele não deixou. Desviou e juntou todas as suas forças para sair correndo. Seus pés escorregavam no chão molhado, ele se agarrava as paredes, tentando se equilibrar, correu o mais rápido que pode.

- Nããããããooooooooooooooooooooooooo! Aaaaaaarrrrggg! – O grito da garota ecoou por toda a caverna e se espalhou pela floresta – Você não vai fugir!

Ele não olhou para trás, apenas continuou correndo. A floresta estava mais escura que antes, ele ouvia ruídos de animais noturnos, corujas, grilos, felinos. Podia ouvir também o arrastar das folhas atrás de si, se desesperou. Viu a claridade azul que emanava da garota se aproximar. Sentiu seu corpo ser agarrado por aqueles braços finos e pegajosos, as garras adentrarem sua pele. Se sentiu ser arrastado novamente para as profundezas escuras daquela floresta. Juntou todas as suas forças e gritou.

- Socorrooo! – Se debateu e tornou a sair correndo. Mas ela sempre o alcançava, e ele sempre tornava a fugir.

Alguns dias depois o corpo do menino foi encontrado, na orla da floresta, estava pálido e frio, com uma expressão de terror no rosto. Ainda vivo, mas sem mente. A única coisa que ele dizia era “Eu a vejo... ela está em todos os lugares... ela está aqui... veio atrás de mim!”.


Fim

Bom, é isso ai xD nem assustou né?

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